Quinta, 30 Novembro 2017 21:48

Células imunes podem propiciar o crescimento do câncer de próstata Destaque

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Este estudo - publicado no The Journal of Clinical Investigation - examina o papel do sistema imunológico na metástase de células de câncer de próstata.

Como os pesquisadores explicam, em sua fase final, o câncer de próstata normalmente se espalha até o osso; neste ponto, a doença não pode mais ser interrompida.

Na verdade, entre 65 e 80 por cento dos casos de metástase de câncer de próstata ocorrem no osso, e a doença torna-se incurável, uma vez que ele atinja esse estágio porque o meio ambiente dá suporte a um crescimento rápido do tumor.

Compreender por que isso ocorre é crucial para evitar metástases e parar o avanço do câncer. A nova pesquisa centra-se no papel que o sistema imunológico desempenha neste processo e mostra uma luz sobre o chamado paradoxo do crescimento tumoral.

O primeiro autor do artigo é Hernan Roca, pesquisador associado da Faculdade de Odontologia da Universidade de Michigan. Roca explica o paradoxo do crescimento tumoral, dizendo: "Na presença de câncer, o crescimento celular descontrolado também é acompanhado por uma quantidade alta ou significativa de morte de células de câncer".

Esta morte ocorre, quer como resultado da resposta imune do organismo, quer como resultado do tratamento anticancerígeno. De qualquer forma, as células cancerosas mortas devem ser limpas, mas o paradoxo refere-se ao fato de que o aumento da morte celular se correlaciona com o crescimento acelerado de tumores.

"O desafio para o futuro", diz Roca, "é entender como tratar esses pacientes para evitar esta resposta pró-inflamatória e de promoção de tumores, enquanto ainda preserva a função essencial da remoção de células".

Novo alvo potencial de drogas descoberto

Roca e colegas examinaram um processo imune normal chamado "eferocitose". Na eferocitose, as células imunes tentam limpar o corpo das células mortas. Essas células imunes de "limpeza doméstica" são chamadas de fagócitos e, em pacientes com câncer, os fagócitos são responsáveis por limpar as células cancerosas mortas.

O novo estudo revelou que quando os fagócitos fazem isso, uma proteína inflamatória chamada CXCL5 é liberada. Os pesquisadores identificaram uma via de sinalização através da qual isso ocorre, e eles descobriram que a liberação de CXCL5 leva ao crescimento tumoral.

Roca e colegas desenharam um modelo de câncer de próstata e morte de células cancerígenas induzidas em seus tumores ósseos. Eles descobriram que isso foi associado a um aumento de CXCL5, e com um rápido crescimento dos tumores de câncer.

No entanto, quando bloquearam a proteína CXCL5, os tumores pararam de progredir.

Em seguida, os pesquisadores queriam ver se suas descobertas se replicariam em seres humanos. Eles descobriram que os níveis sanguíneos de CXCL5 eram maiores em pacientes com câncer de próstata metastático, em comparação com pacientes com câncer de próstata cuja doença não tinha metástase.

Visto que os ossos são um ambiente rico em fagócitos, o estudo ajuda a iluminar a razão pela qual a metástase é quase impossível parar quando atingiu os ossos.

Roca e colegas concluem:

"Em resumo, esses achados revelam um novo mecanismo pelo qual a depuração de células tumorais morrendo pelos macrófagos [isto é, um tipo de fagócitos] induz a inflamação persistente no microambiente do osso tumoral através da expressão de CXCL5 e outras citocinas pró-inflamatórias para facilitar a progressão do câncer".

Isso sugere que o CXCL5 poderia ser um novo alvo no tratamento do câncer. Se o CXCL5 for bloqueado com sucesso, novos medicamentos poderiam alvejar as células cancerosas enquanto ainda permitiam que o corpo se livrasse naturalmente das células cancerosas mortas. Isso, por sua vez, pode levar a uma parada na metástase.

Referência:

  • Roca, H., Jones, J. D., Purica, M. C., Weidner, S., Koh, A. J., Kuo, R., … McCauley, L. K. (2017). Apoptosis-induced CXCL5 accelerates inflammation and growth of prostate tumor metastases in bone. The Journal of Clinical Investigation, 128(1). http://doi.org/10.1172/JCI92466

Lido 109 vezes Última modificação em Quinta, 30 Novembro 2017 22:09
Dr. Renato Riccio

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

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