Risco cardiovascular - até onde a carne vermelha tem culpa?

O consumo de carne vermelha em quantidades superiores àquelas tipicamente recomendadas não afeta os fatores de risco de doença cardiovascular, como a pressão arterial e os níveis de colesterol no sangue.

Isto é o que nos mostra um estudo de revisão publicado no “American Journal of Clinical Nutrition”.

Ao longo dos últimos 20 anos, têm surgido recomendações no sentido de se comer menos carne vermelha a fim de se ter uma dieta mais saudável. Este estudo parece mostrar que a carne vermelha pode ser incorporada em uma dieta saudável. A carne vermelha é um alimento rico em nutrientes, sendo uma fonte não só de proteína, mas também de ferro.

As recomendações para limitar o consumo de carne vermelha representam o resultado de estudos que relacionaram os hábitos alimentares das pessoas com a doença cardiovascular. Apesar destes estudos sugerirem que o consumo de carne vermelha está associado a um maior risco de doença cardiovascular, estes estudos não foram concebidos para demonstrar que este tipo de carne provoca doenças cardiovasculares. Dentro deste contexto, esta revisão e análise de ensaios clínicos já realizados, que são capazes de detectar causa e efeito entre os hábitos dietéticos e os riscos de saúde. 

Desta forma foram analisados centenas de artigos que se focaram em estudos que preenchiam critérios específicos, incluindo a quantidade de carne vermelha consumida (principalmente carne de vaca e de porco) e avaliação de fatores de risco de doença cardiovascular. Após terem selecionado 24 estudos, os investigadores constataram que o consumo diário de meia porção de carne vermelha, o equivalente a 85 gramas três vezes por semana, não agravou a pressão arterial, bem como não teve efeito nas concentrações de colesterol total, de HDL, de LDL e de triglicerídeos. 

Como sempre, são necessários mais estudos uma vez que a avaliação da pressão arterial e do colesterol não são os únicos parâmetros que determinam se um indivíduo desenvolve ou não doença cardiovascular. Além do mais, os estudos realizados tiveram um período de duração que variou de algumas semanas a alguns meses, por oposição aos anos ou décadas que podem levar para que as pessoas desenvolvam doenças cardiovasculares ou sofrerem um evento cardiovascular.

O'Connor LE, Kim JE, Campbell WW. Total red meat intake of ≥0.5 servings/d does not negatively influence cardiovascular disease risk factors: a systemically searched meta-analysis of randomized controlled trials. Am J Clin Nutr. 2016 Nov 23. pii: ajcn142521. [Epub ahead of print] PubMed PMID: 27881394.

 

 

Tags: artigos, comentados, publicações, cientificas, pesquisas

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Dr. Renato Riccio

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